Cruz Vermelha Brasileira – Minas Gerais

Santa Maria de Itabira, crônicas de dor e solidariedade

Buzina. Freia. Espera. Segue. O trânsito era confuso na tarde desta última segunda-feira de fevereiro em Santa Maria de Itabira, a 102 quilômetros de Belo Horizonte. Quase todas as ruas do município, com lama, interditadas. Se fosse há algum tempo atrás, em outra estação, seu Nivaldo estaria tentando passar com sua pequena caminhonete em que levava cavalos, móveis, material de construção e todo tipo de carga. Mas as chuvas de ontem, 21 de fevereiro, deixaram o carreto sem carreteiro. Seu Nivaldo Vieira Gonçalves morreu em casa, junto das duas filhas, Marilene e Dadá, após o deslizamento de terra no bairro Poção. Três pessoas da mesma família. Metade do total de seis mortes confirmadas no desastre que transtornou o município e atingiu centenas de famílias.

A Cruz Vermelha Brasileira-Filial Minas Gerais chegou a Santa Maria de Itabira ainda no domingo e hoje montou operação de emergência, para atender a mais de dez regiões devastadas pelas enxurradas. Mais de 13 veículos 4×4, com o apoio de mais de 20 voluntários, se dividiram no atendimento humanitário, com deslocamento difícil pela lama, alcançando comunidades ainda ilhadas e pessoas que perderam tudo. A CVB-MG levou para a cidade mais de 400 cestas básicas, água mineral e mais de 400 kits com materiais de higiene e limpeza, além de 52 colchões que estão sendo utilizados para montar um abrigo municipal, onde as vítimas que estão desabrigadas passarão a noite.

As doações foram entregues porta a porta, para pessoas ainda assustadas com aquela que, segundo os mais antigos, foi a pior chuva dos últimos 50 anos. Gente como dona Marilda Santos, aposentada que se lembra do desespero em tentar salvar a si própria e uma vizinha ainda mais idosa, dona Ismênia. “Ela tem dificuldade de ouvir, quando cheguei lá a água já estava inundando”, conta. Na rua de trás, após o rio Jirau, seu Gilson Lage, também aposentado, tentou com todas forças salvar o automóvel. Mas as águas inundaram a garagem por completo. “Pelo menos a gente tá vivo”, diz. São histórias de dor que cruzam a solidariedade no recebimento dos donativos que foram trazidos pela Cruz Vermelha e doados nos últimos dias pela população de Belo Horizonte.

Com o apoio da paróquia local e do diácono Luciano Rodrigues, a CVB-MG montou sua base junto à igreja, que agora foi transformada em hospital de campanha improvisado. A instituição prosseguirá em Santa Maria de Itabira e está integrando a força tarefa com os órgãos públicos que planejam como prosseguir no atendimento humanitário e reconstrução das áreas atingidas. Para quem quiser doar, a Cruz Vermelha está recebendo colchões, água mineral produtos de limpeza e higiene pessoal, além de fraldas e alimentos não perecíveis. As doações podem ser entregues na Alameda Ezequiel Dias, 427, Centro, Belo Horizonte. Mais informações pelo telefone (31)3239.4227

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